sábado, 25 de abril de 2009

O massacre de My Lai


No meu tempo de ginasial me lembro de que uma das matérias de que mais gostava era sobre história recente da Ásia. Talvez por isso que considero o massacre de My Lai um dos fatos mais marcantes da guerra do Vietnã, caso que ajudou a opinião pública americana a exercer mais pressão sobre seus governantes a fim de abandonar o conflito e trazer seus jovens soldados de volta para casa. Em 16 de março de 1968, Hugh Thompson, um piloto de helicópteros no Vietnã, cumprindo uma arriscada missão de atrair o fogo vietcongue para sua aeronave e assim identificar alvos inimigos, ele e seu co-píloto avistaram algo estranho em uma aldeia vietnamita que sobrevoavam: nas vielas da vila de My Lai jaziam espalhados os corpos de 504 vietnamitas, 210 delas crianças abaixo de 12 anos. Perpetrado pela Compania Charlie , 1st Batalhão, 20th regimento de infantaria, 11th brigada da divisão americana, a chacina de My Lai foi comandada pelo jovem tenente William Laws Calley ; e é também conhecida como "Song My Massacre" em plena Ofensiva do Tet numa pequena aldeia da provincia sul-vietnamita de Quang Ngai suspeita de albergar o 48º Batalhão do NLF. No massacre pereceram 504 civis vietnamitas, alguns dos quais mutilados. Muitos soldados dessa unidade haviam sido mortos ou feridos em combates, nos dias anteriores. Quando as tropas penetraram na aldeia, seu chefe, o tenente William Calley, lhes disse: “É o que vocês estavam esperando, uma missão de procurar e destruir .” Balanço: entre 300 e 500 mortos, quase todos civis, e, entre eles, muitos velhos, mulheres e crianças. O exército norte-americano anunciou uma grande vitória e a morte de 128 inimigos. Na realidade, o piloto de helicoptero Hugh Thompson não sabia o que havia acontecido e abortou a missão, pousando ao lado da vila e disparando sinalizadores pedindo reforço de resgate médico. Caminhando entre os corpos, reparou algumas pessoas ainda vivas e deu ordens à sua tripulação que os levassem para bordo. Quando retornava ao helicóptero, viu um soldado americano atirar na cabeça de uma mulher ferida que havia atendido para transportar. Assustado, decolou e deu a volta na área, descendo em outro ponto. Mal desembarcara e encontrou um tenente que se preparava para explodir uma trincheira lotada de civis feridos. Enfurecido, mesmo tendo patente inferior, deu voz de prisão ao oficial. Sua tripulação pôs sob mira os outros integrantes do pelotão liderado por um jovem tenente, William Caley, enquanto o piloto descrevia a situação ao centro de comando e organizava a evacuação médica. Consequentemente, sua isubordinação lhe custou muito caro, poís sendo a principal testemhunha de acusação, nos anos posteriores amargou a indiferença por parte dos colegas fardados, descontentes com sua delação. O caso do massacre de My Lai só chegou ao público através de um jovem repórter da UPI. Seymour Hersch, hoje uma lenda no jornalismo americano, famoso também por denunciar os mals tratos aos prisioneiros iraquianos na prisão americana de Abhu Gihad. Herch estava há pouco tempo em Saigon quando soube por um informante a respeito do massacre e de um oficial do Exército preso e respondendo a processo por comandá-lo. A reportagem foi publicada na revista New Yorker e causou uma onda de revolta em toda a América, ampliando a rejeição à própria campanha militar no Sudeste Asiático. O tenente William Calley foi o único militar a enfrentar o tribunal militar, vindo a ser condenado a prisão perpétua, mas perdoado pelo presidente Nixon em 1974, e teve sua pena diminuida para prisão domiciliar. Thompson continuou voando e cumprindo missões arriscadas. Foi derrubado quatro vezes e, na última, teve várias vertebras fraturadas. Foi condecorado com o Coração Púrpura, honraria concedida aos combatentes feridos em ação . Hugh Thompson, Jr. morreu em 6 de janeiro de 2006 aos 62 anos de idade, após uma longa luta contra ocâncer. Seu companheiro de honras e de Vietnam esteve ao lado de seu leito em seus momentos finais. Foi enterrado com honras militares, salvas de tiros e sobrevôos de helicópteros de combate durante seu funeral. No entanto, fatos esses como My Lai acontecem sempre, vide Iraque, Afeganistão, Somália. Seriam precisos muitos Hugh Thompsons ou Seymour Herschs para conhecermos todos os massacres perpetrados contra civis nas campanhas militares, mas mostra que é essa carater individual que é a diferença que separa meros homens comuns dos homens que ficaram para a história.

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