
O avião alinha-se na pista pontualmente as 17 horas de uma sexta feira de abril. É o vôo Korean Air com destino a Seoul, partindo de Narita. O avião vai com taxa de ocupação superior a 70%, o que em termos ecônomicos se traduz em um bom lucro liquido a empresa. O vôo transcorre sem maiores novidades, salvo uma pequena aréa de turbulência ao entrar no Mar do Japão. As 23 horas já estou no hotel. Á noite ainda prometa algo, então tomo um banho e saio para umas das noites urbanas mais agitadas da Asia. Tenho em mente procurar algum restaurante que sirva comida tradicional coreana, mas mudo de idéia ao me deparar com um desses pequenos kiosques de calçada que servem comida boa e barata. Uma senhora idosa sorri e peço o básico: Bibimbah Sumida! (bibimba, por favor). Não estou com fome, mas experimentar um bibimbah feito por mãos coreanas esperientes não é para qualquer dia não! Enquanto espero, a senhora abre um vidrinho de Soju e pede que estenda o copo para ser servido. Não queria beber mas aceito e agradeço, e automaticamente começo a me lembrar de alguns anos atrás em que estive nesse país pela primeira vez. Na realidade, parece que em alguma vida passada já devo ter sido coreano. Os costumes, lingua, nada me é muito estranho. Enquanto aguardo meu prato, minha atenção se volta ao noticíario da pequena tv surrada e frágil pendurada no teto da barraquinha. Como todo dia, o noticíario está noticiando algo sobre o camarada Kim Jong- il, da Coréia do Norte. É inclivel. Não há um dia sequer que seu nome passe em branco nos telejornais da Coreia do Sul, ainda mais com esse lançamento/texte de um missil balistico, o Taepodong 2. O Japão chiou com o anuncio do texte feito por Pyongyang, então mandou algumas baterias PAC 3 para a costa de Niigata, a fim de interceptar possíveis partes do missíl que por ventura se desprendessem e caisem sobre territorio japonês durante seu trajeto sobre o mesmo. O camarada Kim é louco, mas um louco esperto. Expulsando os agentes da agência internacional de energia atômica, oque ele quer na realidade é conseguir mais conseções ao seu país, e o lançamento do missíl nada mais é do que mostrar desprezo pelas sanções inpostas nos ultimos tempos ao seu país e apresentar um contra peso concreto a essas sanções, e também ganhar tempo hábil a fim de acelerar seu projeto atômico, que em tese, já deve estar bem adiantado. Ora, para um país que mal consegue produzir o suficiente para alimentar sua propria população e precisa de ajuda da Onu para alimentar milhares de pobres coreanos, fabricar um missil que chegue até o Alaska é louvável! Politica do camarada Kim, que prefere ver seu povo morrer de fome a uma maior abertura politica. Não me esqueço de ter visto uma gravação clandestina feita por um sul coreano em que ele mostrava um saco de arroz da ajuda humanitária da Onu sendo comercializado numa feira do interior da Coréia do Norte! Os irmãos coreanos do sul enfatizam que os dois povos tem desejo de ver os dois países reunificados, mas não no momento. Dão como exemplo o caso da reunificação das Alemanhas. No começo quase ninguém pensou nas consequências negativas da reunificação, como o desemprego, a violência exacerbada, a inflação. Por aqui já é diferente. O discurso oficial é de que se um dia o governo do norte cair, é preferivel o norte passar por um periodo de transição democratica primeiro e só depois de alguns anos se reunificar ao sul. Bem sensato vindo de um povo acostumado aos sacrifícios, humanos e politicos. Terminada a refeição, reluto entre voltar ao hotel ou ir a Yongsan, aonde meus colegas me esperam, poís eles tem familias que vivem por perto. Decido ir até Yongsan, sabendo que o que me espera é mais Soju e no dia seguinte uma ressaca. Mas o que vale é me divertir. O resto é lucro.

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